Tenho andado com medo... “Medo de que?” Medo da vida da dívida da dúvida. Medo de tudo do tempo do vento. Medo do Cristo da crise do sisto Medo do erro de ser desejo
Tenho medo do erro, E erro ao ter medo
Tenho medo do que não entendo, E não entendo o medo.
Tenho medo da morte, E morro de medo.
Meu erro O medo.
Frico é poeta, jornalista, blogueiro, baixista. Ele gosta que as pessoas deixem comentários para suas poesias. COMENTA AÍ!
Documentário bem legal sobre o começo do punk no Brasil. Foca principalmente no movimento de São Paulo e mescla vários depoimentos da galera hoje(Mau, João Gordo, Ariel, Clemente, Redson, Morto, etc) com imagens da época. Se por um lado mostra o lado mais certinho do punk(todo mundo falando sentado e sóbrio, ao contrário de "Guidable" sobre o RDP, que mostra o lado podrão da banda), por outro acaba com a visão de que foi tudo uma bagunça organizada por maloqueiros da periferia. Baixe, compre ou roube!
A trilha sonora instigante pontua os rostos que vão sendo exibidos em closes. Retratos de uma juventude que podiam ter sido tirados em uma convenção estudantil em Porto Alegre, na França ou na Tchecoslováquia. Sim, eram os anos 60. O mundo era um imenso coquetel molotov pronto para explodir. No cinema acontecia uma revolução por minuto(Hey, nem pensem na banda de Paulo Ricardo!). Dezenas de diretores inovavam no texto, no corte, na fotografia. Seus filmes eram as imagens vivas de um mundo que se transformava velozmente. Antonioni tinha contrato para fazer 3 películas em inglês. A primeira foi “Blow Up”, vencedora da Palma de Ouro em Cannes. A terceira, “Profissão Repórter”, com Jack Nicholson. “Zabriskie Point”(1970), retrato da contracultura americana ficou um pouco desvalorizado entre os dois. Trailer
As imagens que se revelam lentamente na câmera de Antonioni parecem quadros que se movimentam. O céu azul, as areias da Califórnia, o sangue no rosto dos estudantes. Cada take de suas lentes é uma obra de arte que poderia ser estudada separadamente. Juntos, fazem de “Zabriskie” uma experiência visual saborosa.
Mark(vivido por Mark Frechette) é o protagonista da história ao lado de Daria(Daria Halprin). Uma espécie de James Dean hippie, ele está de saco cheio do blá blá blá das reuniões estudantis. Quer pegar em armas. Quer ação. Está pronto pra “morrer antes dos 30” como gritava o The Who em “My Generation”. Durante a greve de alunos, ele acaba sendo o principal suspeito de ter matado um policial. Daria é secretária. Ela tem que atravessar o deserto até Phoenix para encontrar seu chefe, um empresário do ramo imobiliário que está construindo um mega condomínio na Califórnia. No meio do caminho, os dois jovens se encontram.
A cena de amor na areia é uma das coisas hippies mais legais já feitas até hoje. Parece ter sido extraída de uma versão mais selvagem do musical Hair, com as curvas da bela Daria salpicadas de pó, o casal se enlaçando nas dunas de Zabrieskie Point ao som da trilha psicodélica e o ato da criação multiplicando-se na pele de milhares de jovens que surgem como uma alucinação. A trilha, inclusive, é outro banquete sinestésico reunindo nomes importantes do flower power como Rolling Stones, Pink Floyd e Greateful Dead.
Vale destacar que muito antes de “Cidade de Deus” sonhar em existir, Zabriskie foi quase todo rodado com atores amadores, alguns sem qualquer outra experiência na frente das câmeras. Mark na vida real era um radical que morava em uma comunidade hippie. Depois de atuar em mais dois filmes italianos(“Many Wars Ago” e “La Grande Scrofa Nera”), acabou sendo preso por assalto a banco e morreu na cadeia num estranho acidente com um halteres. Harrison Ford também dá as caras em um minúsculo papel, fazendo parte da manifestação de alunos no posto policial.
O momento em que Daria imagina a explosão do condomínio e de todo o american way of life é um grande orgasmo revolucionário. O sonho de todo jovem daquela geração era que o frango, as casonas e os televisores fossem implodidos junto com os velhos, para que a juventude pudesse fazer amor livre no deserto, voar em aviões multicoloridos e começar a História(com h maiúsculo) toda de novo.
Estou fazendo uma pesquisa para escrever a resenha do primeiro disco da banda baiana Camisa de Vênus. E não é que achei mais uma "versão" não creditada de punk inglês no disco? Dessa vez, Marceleza deu uma "chupadinha" na letra de "Where Next Columbus" dos anarcopunks 77 do Crass. Confira a letra no final do post. Mas antes, um pouco mais de história, na nossa série "punk 77 inglês":
The Crass Os caras do Crass foram responsáveis por criar o que se chamou de Anarcopunk, uma forma de punk muito mais política que o "anarchy in UK pra chocar velhinhas" dos Pistols e mesmo o rock de esquerda do Clash. Na experiência do Crass tudo era levado mais ao extremo: as letras, as músicas(Com experiências de colagens sonoras, poesia e vários vocalistas) e o estilo de vida. A banda surgiu numa casa comunitária chamada Dial House a partir de jams entre Penny Rimbaud e do, fã de Clash, Steve Ignorant. O grupo que já vivia no esquema "Do it yourself", se empolgou com os primeiros punks e sentiu-se acolhido por aquela cena que explodia em Londres. O ano era, obviamente, 1977. Pelas fileiras do Crass passaram além de Penny e Ignorant: Gee Vaucher, N. A. Palmer, Phil Free, Pete Wright, Eve Libertine, Joy De Vivre, Mick Duffield, John Loder e Steve Herman. Os shows no começo eram toscos e mal tocados e as únicas pessoas na platéia eram os integrantes do UK Subs, que iam se apresentar logo depois do Crass. Com o passar do tempo, a banda adotou uniformes pretos(segundo eles para que ninguém fosse "o líder" e todos integrantes tivesse importância igual) e a performance se elaborou com experimentos com vídeos sendo exibidos, enquanto tocavam. O coletivo chegou ao fim em 1984, já desiludido e crítico em relação às outras bandas da cena.
Where Next Columbus? Anothers hope, anothers game Anothers loss, anothers gain Anothers lies, anothers truth Anothers doubt, anothers proof Anothers left, anothers right Anothers peace, anothers fight Anothers name, anothers aim Anothers fall, anothers fame Anothers pride, anothers shame Anothers love, anothers pain Anothers hope, anothers game Anothers loss, anothers gain Anothers lies, anothers truth Anothers doubt, anothers proof Anothers left, anothers right Anothers peace, anothers fight
Marx had an idea from the confusion of his head Then there were a thousand more waiting to be led The books are sold, the quotes are bought You learn them well and then you're caught
Anothers left, anothers right Anothers peace, anothers fight
Mussolini had ideas from the confusion of his heart Then there were a thousand more waiting to play their part The stage was set, the costumes worn And another empire of destruction born
Jung had an idea from the confusion of his dream Then there were a thousand more waiting to be seen You're not yourself, the theory says But I can help, your complex pays
Anothers hope, anothers game Anothers loss, anothers gain
Satre had an idea from the confusion of his brain Then there were a thousand more indulging in his pain Revelling in isolation and existential choice Can you truly be alone when you use anothers voice?
Anothers lies, anothers truth Anothers doubt, anothers proof
The idea born in someones mind Is nurtured by a thousand blind Anonymous beings, vacuous souls Do you fear the confusion, your lack of control? You lift your arm to write a name So caught up in the identity game Who do you see? Who do you watch? Who's your leader? Which is your flock? Who do you watch? Who do you watch? Who's your leader? Which is your flock?
Einstein had an idea from the confusion of his knowledge Then there were a thousand more turning to advantage They realised that their god was dead So they reclaimed power through the bomb instead Anothers code, anothers brain They'll shower us all in deadly rain
Jesus had an idea from the confusion of his soul Then there were a thousand more waiting to take control The guilt is sold, forgiveness bought The cross is there as your reward Anothers love, anothers pain Anothers pride, anothers shame Do you watch at a distance from the side you have chosen? Whose answers serve you best? Who'll save you from confusion? Who will leave you an exit and a comfortable cover Who will take you oh so near the edge, but never drop you over? Who do you watch
Meu pai e seu livro Sempre - Na biblioteca entretido Meu pai e um livro Gostava mais de palavras que dos amigos Meu pai é um livro Cheio de mistérios, difícil de ser lido Meu pai é um livre