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20.11.09

Meu Medo

-Leia mais poesias

Tenho andado com medo...
“Medo de que?”
Medo da vida
da dívida
da dúvida.
Medo de tudo
do tempo
do vento.
Medo do Cristo
da crise
do sisto
Medo do erro
de ser
desejo

Tenho medo do erro,
E erro ao ter medo

Tenho medo do que não entendo,
E não entendo o medo.

Tenho medo da morte,
E morro de medo.

Meu erro
O medo.

Frico é poeta, jornalista, blogueiro, baixista. Ele gosta que as pessoas deixem comentários para suas poesias. COMENTA AÍ!

-Clube de Ideias: Novos artistas, poetas e cineastas
-Uma canção para São Paulo

19.11.09

Botinada - Trailer

-Mais punk rock



Documentário bem legal sobre o começo do punk no Brasil. Foca principalmente no movimento de São Paulo e mescla vários depoimentos da galera hoje(Mau, João Gordo, Ariel, Clemente, Redson, Morto, etc) com imagens da época. Se por um lado mostra o lado mais certinho do punk(todo mundo falando sentado e sóbrio, ao contrário de "Guidable" sobre o RDP, que mostra o lado podrão da banda), por outro acaba com a visão de que foi tudo uma bagunça organizada por maloqueiros da periferia. Baixe, compre ou roube!

-Documentário sobre o hardcore brasileiro nos anos 90

17.11.09

Zabriskie Point(1970), Michelangelo Antonioni

A trilha sonora instigante pontua os rostos que vão sendo exibidos em closes. Retratos de uma juventude que podiam ter sido tirados em uma convenção estudantil em Porto Alegre, na França ou na Tchecoslováquia. Sim, eram os anos 60. O mundo era um imenso coquetel molotov pronto para explodir. No cinema acontecia uma revolução por minuto(Hey, nem pensem na banda de Paulo Ricardo!). Dezenas de diretores inovavam no texto, no corte, na fotografia. Seus filmes eram as imagens vivas de um mundo que se transformava velozmente. Antonioni tinha contrato para fazer 3 películas em inglês. A primeira foi “Blow Up”, vencedora da Palma de Ouro em Cannes. A terceira, “Profissão Repórter”, com Jack Nicholson. “Zabriskie Point”(1970), retrato da contracultura americana ficou um pouco desvalorizado entre os dois.

Trailer



As imagens que se revelam lentamente na câmera de Antonioni parecem quadros que se movimentam. O céu azul, as areias da Califórnia, o sangue no rosto dos estudantes. Cada take de suas lentes é uma obra de arte que poderia ser estudada separadamente. Juntos, fazem de “Zabriskie” uma experiência visual saborosa.

-Conheça a autobiografia de Timothy Leary o papa do LSD
-Resenha psicodélica de Sgt. Peppers dos Beatles

Mark(vivido por Mark Frechette) é o protagonista da história ao lado de Daria(Daria Halprin). Uma espécie de James Dean hippie, ele está de saco cheio do blá blá blá das reuniões estudantis. Quer pegar em armas. Quer ação. Está pronto pra “morrer antes dos 30” como gritava o The Who em “My Generation”. Durante a greve de alunos, ele acaba sendo o principal suspeito de ter matado um policial. Daria é secretária. Ela tem que atravessar o deserto até Phoenix para encontrar seu chefe, um empresário do ramo imobiliário que está construindo um mega condomínio na Califórnia. No meio do caminho, os dois jovens se encontram.

A cena de amor na areia é uma das coisas hippies mais legais já feitas até hoje. Parece ter sido extraída de uma versão mais selvagem do musical Hair, com as curvas da bela Daria salpicadas de pó, o casal se enlaçando nas dunas de Zabrieskie Point ao som da trilha psicodélica e o ato da criação multiplicando-se na pele de milhares de jovens que surgem como uma alucinação. A trilha, inclusive, é outro banquete sinestésico reunindo nomes importantes do flower power como Rolling Stones, Pink Floyd e Greateful Dead.




Vale destacar que muito antes de “Cidade de Deus” sonhar em existir, Zabriskie foi quase todo rodado com atores amadores, alguns sem qualquer outra experiência na frente das câmeras. Mark na vida real era um radical que morava em uma comunidade hippie. Depois de atuar em mais dois filmes italianos(“Many Wars Ago” e “La Grande Scrofa Nera”), acabou sendo preso por assalto a banco e morreu na cadeia num estranho acidente com um halteres. Harrison Ford também dá as caras em um minúsculo papel, fazendo parte da manifestação de alunos no posto policial.

-Assista mais traileres
-Psicodelia High-Tech

O momento em que Daria imagina a explosão do condomínio e de todo o american way of life é um grande orgasmo revolucionário. O sonho de todo jovem daquela geração era que o frango, as casonas e os televisores fossem implodidos junto com os velhos, para que a juventude pudesse fazer amor livre no deserto, voar em aviões multicoloridos e começar a História(com h maiúsculo) toda de novo.

Foram-se os sonhos, mas ficaram os belos filmes.

15.11.09

Crass - Where Next Columbus?

-Dead Kennedys tocando "Holiday in Cambodia"

Where Next Columbus


Estou fazendo uma pesquisa para escrever a resenha do primeiro disco da banda baiana Camisa de Vênus. E não é que achei mais uma "versão" não creditada de punk inglês no disco? Dessa vez, Marceleza deu uma "chupadinha" na letra de "Where Next Columbus" dos anarcopunks 77 do Crass. Confira a letra no final do post. Mas antes, um pouco mais de história, na nossa série "punk 77 inglês":

-Confira mais bandas da safra 77 britânica

The Crass
Os caras do Crass foram responsáveis por criar o que se chamou de Anarcopunk, uma forma de punk muito mais política que o "anarchy in UK pra chocar velhinhas" dos Pistols e mesmo o rock de esquerda do Clash. Na experiência do Crass tudo era levado mais ao extremo: as letras, as músicas(Com experiências de colagens sonoras, poesia e vários vocalistas) e o estilo de vida. A banda surgiu numa casa comunitária chamada Dial House a partir de jams entre Penny Rimbaud e do, fã de Clash, Steve Ignorant. O grupo que já vivia no esquema "Do it yourself", se empolgou com os primeiros punks e sentiu-se acolhido por aquela cena que explodia em Londres. O ano era, obviamente, 1977. Pelas fileiras do Crass passaram além de Penny e Ignorant: Gee Vaucher, N. A. Palmer, Phil Free, Pete Wright, Eve Libertine, Joy De Vivre, Mick Duffield, John Loder e Steve Herman. Os shows no começo eram toscos e mal tocados e as únicas pessoas na platéia eram os integrantes do UK Subs, que iam se apresentar logo depois do Crass. Com o passar do tempo, a banda adotou uniformes pretos(segundo eles para que ninguém fosse "o líder" e todos integrantes tivesse importância igual) e a performance se elaborou com experimentos com vídeos sendo exibidos, enquanto tocavam. O coletivo chegou ao fim em 1984, já desiludido e crítico em relação às outras bandas da cena.



-Poesia punk

Where Next Columbus?
Anothers hope, anothers game
Anothers loss, anothers gain
Anothers lies, anothers truth
Anothers doubt, anothers proof
Anothers left, anothers right
Anothers peace, anothers fight
Anothers name, anothers aim
Anothers fall, anothers fame
Anothers pride, anothers shame
Anothers love, anothers pain
Anothers hope, anothers game
Anothers loss, anothers gain
Anothers lies, anothers truth
Anothers doubt, anothers proof
Anothers left, anothers right
Anothers peace, anothers fight

Marx had an idea from the confusion of his head
Then there were a thousand more waiting to be led
The books are sold, the quotes are bought
You learn them well and then you're caught

Anothers left, anothers right
Anothers peace, anothers fight

Mussolini had ideas from the confusion of his heart
Then there were a thousand more waiting to play their part
The stage was set, the costumes worn
And another empire of destruction born

Anothers name, anothers aim
Anothers fall, anothers fame

Jung had an idea from the confusion of his dream
Then there were a thousand more waiting to be seen
You're not yourself, the theory says
But I can help, your complex pays

Anothers hope, anothers game
Anothers loss, anothers gain

Satre had an idea from the confusion of his brain
Then there were a thousand more indulging in his pain
Revelling in isolation and existential choice
Can you truly be alone when you use anothers voice?

Anothers lies, anothers truth
Anothers doubt, anothers proof

The idea born in someones mind
Is nurtured by a thousand blind
Anonymous beings, vacuous souls
Do you fear the confusion, your lack of control?
You lift your arm to write a name
So caught up in the identity game
Who do you see? Who do you watch?
Who's your leader? Which is your flock?
Who do you watch? Who do you watch?
Who's your leader? Which is your flock?

Einstein had an idea from the confusion of his knowledge
Then there were a thousand more turning to advantage
They realised that their god was dead
So they reclaimed power through the bomb instead
Anothers code, anothers brain
They'll shower us all in deadly rain

Jesus had an idea from the confusion of his soul
Then there were a thousand more waiting to take control
The guilt is sold, forgiveness bought
The cross is there as your reward
Anothers love, anothers pain
Anothers pride, anothers shame
Do you watch at a distance from the side you have chosen?
Whose answers serve you best? Who'll save you from confusion?
Who will leave you an exit and a comfortable cover
Who will take you oh so near the edge, but never drop you over?
Who do you watch



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-Grandes baixistas punk

14.11.09

Meu pai é um livro

-Abuelita

Meu pai e seu livro
Sempre - Na biblioteca
entretido
Meu pai e um livro
Gostava mais de palavras
que dos amigos
Meu pai é um livro
Cheio de mistérios,
difícil de ser lido
Meu pai é um livre

Um vôo de cisne.

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